Sábado, 22 de março de 1964. Não estranhe se o ano não for o atual, os organizadores da 'Marcha da Família com Deus pela Liberdade' procuram, através da mobilização que fora agendada para hoje, reeditar as manifestações que tomaram as ruas das principais capitais do Brasil e cidades do interior naquela longínqua década. Em meio aos preparativos dos 50 anos do golpe militar, grupos que se autodenominam de "extrema direita" querem a volta do poder aos militares, a prisão de todos os políticos considerados comunistas e a derrubada do Marco Civil da Internet (questão de honra para o governo federal). Outros tópicos estão na lista dos manifestantes: criminalização do aborto, redução da maioridade penal e até críticas às políticas que visam os direitos da comunidade LGBT.
Entretanto, devido às críticas nas redes sociais e na imprensa, as passeatas esperam contar com um número bem aquém do que prometiam. Páginas no Facebook, por exemplo, conclamavam os internautas a participarem da marcha. Em São Paulo, a comunidade 22 de Março - SP e todo o Brasil contra o Comunismo, mostra simultaneamente o encontro através da rede social e ainda faz críticas a grupos como os Black Blocs, o PT e se referem até aos protestos de junho. Frases irônicas como "marcha de brasileiro não tem quebradeira na rua!", "comunas infiltrados foram expulsos na porrada por nacionalistas" e "quem ta afim de estragar a Marcha? Fala com nossos amigos policiais antes. Srs. Esquerdistas" ganharam curtidas e comentários de simpatizantes. Segundo alguns veículos de comunicação, na capital paulista, mais de 300 pessoas participam do encontro e os manifestantes estão na região da Praça da Sé, centro. Em Belo Horizonte, a marcha estava marcada para iniciar às 15h, na 4ª Companhia do Exército, no Barro Preto. O número de pessoas ainda não foi divulgado, mas é bem menor do que o visto em São Paulo.
Em entrevista ao jornal O Tempo de ontem, a professora do Departamento de História da UFMG, Regina Helena Alves, disse que na reedição da marcha é difícil definir o perfil de quem participa. "Eles levantam bandeiras muito comuns como o combate a corrupção e a postura de alguns políticos. Apesar do espaço de tempo, o moralismo, a intolerância e a arrogância continuam". Assim como há páginas que defendam o ato, outras criticam veementemente a passeata e promovem charges e paródias sobre a situação. A página Diário do Mundo mostra desde a quinta-feira postagens ironizando o protesto com imagens de famílias famosas como 'Flinstones', a 'Família Dinossauro' e a 'Família Adams' para mostrar a indignação. Enfim, a marcha ainda não acabou, mas conseguiu imprimir a insatisfação de uma parcela da sociedade com a política, mas mostra uma briga que tende mais pelo lado partidário (embora os participantes se dizem não representados), além de pessoas que não conviveram e , portanto, desconhecem os horrores do período ditatorial no Brasil.
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15:34
Guilherme
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