
Nesta segunda-feira, o Brasil relembra um capítulo triste de sua história: os 50 anos do Golpe Militar que instituiu a ditadura como sistema político. Há quem ainda hoje se refira ao episódio como revolução, mas isso parte de um equívoco monstruoso. A começar pelo cerceamento da liberdade, pelo endividamento externo, pela tortura como instrumento do Estado e muitos casos que estão sem fim até hoje.
1964 está muito longe da geração atual, mas nossos pais ou avós já eram vivos e testemunharam tudo isso. Não é preciso consultar apenas os livros de história, os arquivos dos jornais, os documentários e fontes afins para sabermos o que aconteceu naqueles turbulentos anos.
Os primeiros Atos Institucionais (1 e 2) já davam sinais que o Brasil mergulhara em um período tempestuoso. Esses decretos atingiam principalmente a vida democrática do país, pois foram responsáveis por anular as eleições diretas, implantar o bipartidarismo; além de dar ao presidente da situação (primeiro do regime) Marechal Castelo Branco poderes inquestionáveis.
Contudo, o que jogou sal sobre a ferida nacional foi o Ato Institucional Nº 5, instituído em 13 de dezembro de 1968. O general Costa e Silva já comandava o Brasil e esse decreto oficializou o "Estado de Exceção". Tudo, absolutamente tudo, passava pelo crivo dos censores e qualquer inimigo do governo, declarado ou presumido, pagava pela posição de se opor ao que estava posto.
Jornais foram invadidos e fechados por agentes do Estado; peças de teatro, filmes, músicas, novelas, frases de publicidade, artistas, cantores e obras de arte em geral foram vitimados nesse duro golpe. O pior ainda estaria por vir: a posse do presidente Emílio Garrastazu Médici.
Embora muitos entusiastas fazem questão de levantar seus feitos nos campo social, é bem verdade que os "Anos de Chumbo" foram responsáveis pelo extermínio de todos que se atrevessem a se opor ao sistema ditatorial. A guerrilha do Araguaia talvez seja o lado mais sombrio da gestão Médici, os militantes procuravam um fortalecimento no interior do Brasil.
Os anos passaram, veio Ernesto Geisel com sua abertura e, no final da década de 1970, João Baptista Figueiredo. Em 1984, a população saiu às ruas com o comício das Diretas Já. O país já havia mudado, apesar da ditadura ainda estar na ativa. Entre manobras no Congresso Nacional, em 1985 o mineiro Tancredo Neves foi eleito o novo presidente, por um Colégio Eleitoral. O ano de 1988 será para sempre marcado com a promulgação da Constituição que vigora até hoje.
O resto da história todos nós já sabemos, mas não custa pesquisarmos mais e mais sobre o que foi esse período monstruoso na sociedade brasileira e quais foram seus impactos. Faz apenas 29 anos que o Brasil está livre do poder instituído pelos militares. Embora vivamos em uma democracia, ainda é muito temeroso afirmarmos que temos liberdade de expressão. Convivemos com resquícios das botinas, dos quepes, dos canhões e da brutalidade.
domingo, 30 de março de 2014
50 anos do Golpe Militar
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17:07
Guilherme
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