terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Política protagoniza no carnaval





Máscara Joaquim

Quem disse que carnaval e política não combinam? “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé”. A letra imortalizada de “Samba de Minha Terra”, de Dorival Caymmi, é um belo exemplo de como a festa está presente na cultura brasileira, embora sua origem não esteja no cerne ‘tupiniquim’. Tendo os erros e os acertos das personalidades públicas comentados à exaustão na sociedade brasileira, a política chega cada vez mais perto da comemoração popular. A presidente Dilma Rousseff, o ministro do STF Joaquim Barbosa e o ex-mandatário Luiz Inácio Lula da Silva serão os mais cultuados durante a celebração. A encomenda de máscaras para foliões tem movimentado as fábricas de adereços carnavalescos. O curioso é que os principais réus do maior escândalo político dos últimos anos, o mensalão, também lideram as listas de solicitação. As máscaras dos condenados Marcos Valério, José Dirceu e José Genoíno são grandes atrativos para este ano. Contudo, a fantasia mais disputada dessa vez será a de Barbosa, usada por pessoas que aprovam e discordam da atuação do magistrado na Ação Penal 470 (processo do mensalão). Os preços das alegorias variam entre R$ 3,99 a R$ 6,90, na capital mineira.

Outro ponto interessante são as marchinhas. No ano passado, os compositores ouviram o eco das manifestações e os abusos cometidos por políticos para dar vida a letras que ganhariam o gosto dos eleitores. Em 2012, o sucesso de “Na Coxinha da Madrasta” trouxe o prêmio ao compositor Flávio Henrique na realização do concurso Mestre Jonas. A música retratou com bom humor o uso indevido de dinheiro público  pelo presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, o vereador Léo Burguês (PTdoB), que à época era filiado ao PSDB. Para 2014, os foliões mineiros contarão com o “Baile do Pó Royal”, satirizando o caso da cocaína encontrada no helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD). “O pó rela no pé. O pé rela no pó. Esse pó é de quem eu tô pensando? Ah, é sim”. A composição é de Alfredo Jackson, Joilson Cachaça e Thiago Dibeto e já ganhou o público na 39ª edição da Banda Mole, realizada no último sábado (22). Dentro dos circuitos dos bairros, muita gente também pulou ao som das marchinhas. Segundo o caderno ‘Divirta-se’, do portal Uai, o bloco ‘Mama na Vaca’ reuniu moradores e visitantes no bairro Santo Antônio, região sul de Belo Horizonte. Em entrevista ao site informado, a psicóloga Ana Luiza Kohler disse que carnaval em BH “é um ato político, porque é o público que faz”. Se depender da intensidade dos cidadãos com a celebração e a conscientização, a data pode superar ano após ano quando o assunto for política. As músicas criticam algum fato e o público, que em grande parte é composto por eleitores, encontra nas composições uma forma de prestar atenção nas situações sem deixar de aproveitar a festa mais desejada dos brasileiros. Ainda tem muito confete e serpentina para ser jogado. O carnaval está aí!



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