segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Amor x Dinheiro





Geralmente o início do ano no mundo futebolístico é marcado pela contratação de reforços e pelas promessas de renovação. 2012 começou um pouco diferente. Nenhum time contratou um jogador de peso, alguns agregaram ao elenco jogadores intermediários, a fim de acalmarem as torcidas, que se mostravam insatisfeitas, e outros fizeram negócios da China, literalmente.

O começo desse ano foi marcado basicamente pela aposentadoria do goleiro Marcos, do Palmeiras, por mais uma polêmica envolvendo Adriano, do Corinthians, que dessa vez foi acusado de atirar na mão de uma garota que estava em seu carro, pelo fica-não-fica de Montillo e pelas novelas Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho.

A aposentadoria de Marcos, que é chamado de santo por muitos, mostrou que o futebol não é só rivalidade. Torcedores de vários times se manifestaram e demonstraram carinho ao ídolo alviverde. Nada mais justo, já que Marcos sempre foi um sujeito boa praça, inimigo de confusões e que sempre demonstrou respeito aos adversários.

A situação de Adriano foi resolvida. Ele continua sendo o Imperador e não o Atirador. A garota que o acusava, assumiu que estava mentindo e que ela própria apertou o gatilho do revólver acidentalmente. Agora, só quem tem problemas com Adriano é o Corinthians mesmo. O jogador mostrou que continua o mesmo. Não fez nenhuma partida espetacular até então, faltou ao treino e - como era de se esperar - causou a ira dos torcedores do Timão.

Já Montillo, que despertou interesse em vários times, entre eles Corinthians e São Paulo, ficou no Cruzeiro, que frisou que nunca teve interesse de se desfazer do jogador.

A situação mais complicada até o momento é a do Flamengo. Ao que tudo indica, apesar de ainda não ter recebido os salários atrasados, Ronaldinho fica. O craque está na Bolívia se preparando para o jogo contra o Real Potosí, pela pré-libertadores. Já Thiago Neves, que estava sendo o troféu do primeiro Fla x Flu do ano, ficou com o Fluminense e deixou os torcedores rubro-negros cheios de raiva, afinal, o camisa sete é um ótimo jogador.

Thiago Neves, que ganhou destaque quando jogava no clube das Laranjeiras, jogou pelo Flamengo no ano passado, porém, o passe do jogador pertencia ao Al-Hilal, da Arábia Saudita. No fim de 2011, o empréstimo do jogador ao Flamengo acabou e assim começou a novela.

O apoiador chegou a dar diversas declarações de que sua vontade era continuar no Flamengo, e o time da Gávea disse ter tentado diversas negociações com o time árabe. No entanto, o Fluminense entrou na briga pela contratação do jogador e levou a melhor.

O meio-campista disse que o time Rubro-Negro tinha preferência em sua contratação até o dia 30 de dezembro, porém não demonstrou tanto esforço, e só depois disso é que o Flu atravessou as negociações e apresentou uma proposta melhor.

O que causou mais indignação aos flamenguistas foi que, enquanto Thiago Neves negociava às escondidas com o Fluminense, Léo Rabello, empresário do jogador, ainda negociava com Patrícia Amorim, presidente do Flamengo. Quando questionado sobre isso, Thiago Neves disse que chegou uma hora em que sua vontade prevaleceu. Agora eu pergunto: há três semanas sua vontade não era ficar no Flamengo?

Foi-se tempo que o jogador defendia o time por amor a ele. É claro que existem algumas exceções, como o próprio goleiro Marcos, que chegou a recusar ofertas do exterior para defender o Palmeiras quando o time estava na Série B, e Rogério Ceni que demonstra seu amor ao São Paulo a cada partida, mas esse tipo de atleta está cada vez mais escasso no mundo da bola.

É fato que dar valor ao time é coisa de torcedor. Quando se trabalha com isso, vira negócio. E não, não estou dizendo que um jogador tem que ser fiel a um time mesmo quando este não o valoriza. Daí a fazer um rodízio entre dois grandes rivais é algo totalmente diferente. Sim, porque essa é a terceira passagem do meia pelo Flu e eu não estranharia se amanhã ou depois ele voltasse ao Flamengo.

É por essas e outras que jogador de futebol não pode pensar só com a perninha, tem que pensar com a cabeça também. Antes de provocar, xingar ou ironizar um time ou uma torcida, ele tem que estar ciente de que um dia poderá estar do outro lado. Além disso, o jogador não pode se deixar levar pelo momento e declarar amor eterno ao clube que está defendendo naquele instante, porque quando ele fala isso pela segunda vez estando em um time diferente, sua credibilidade cai absurdamente. E não, isso não é uma crítica exclusiva ao Thiago Neves, porque ele não foi o primeiro e nem será o último a fazer isso. Romário e Petkovic são só alguns exemplos que podem ser citados.

Em 2011, quando Thiago Neves estava prestes a voltar a jogar no Brasil, e toda a torcida do Fluminense se enchia de esperança ao pensar na possibilidade de ter o meia defendendo o clube das Laranjeiras de novo, Léo Rabello disse: "Essa conversa fiada de amor ao clube não existe". Do lado de cá, nós torcemos para que isso não seja verdade. Para que existam sim novos Marcos, novos Rogérios e novos Pelés, porque não há nada melhor do que ver um torcedor em campo.

por Bruna Viel



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