O Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo exibiu as diferentes manifestações de artistas contemporâneos na exposição Itinerários Itinerâncias; com o objetivo de valorizar as experiências em situações de trocas, a mostra realiza uma reflexão da contemporaneidade no momento de trânsito, troca de vidas e sensações dos artistas.
O artista Gaio de Matos, participante do último panorama de arte do MAM, cedeu uma entrevista onde enfatiza a sensação para a criação de sua obra e o significado da contemporaneidade.
Qual foi a inspiração ao realizar a obra ”Sem Título“?
O trabalho surgiu em uma residência artística em Paris, onde passava grande parte do dia caminhado sem ter um percurso pré definido, apenas caminhava e fotografava o que me chamava atenção, pessoas, lugares, etc. Acho que a matéria prima para esse trabalho foi a própria cidade e suas intensidades.
Qual a sensação que você deseja transmitir/provocar com a sua obra?
Uma sensação de desorientação, uma reação a informação e direção fácil presente nas placas, o benefício da dúvida, da encruzilhada, do não saber ao certo aonde ir, mas prosseguir assim mesmo. Acho que a velocidade dos acontecimentos do mundo hoje, a própria arte contemporânea, sua órbita e o estranhamento que ela produz são um pouco essa desorientação e a ordem meio oculta dos caminhos e dos trajetos que a gente deve tomar.
Você se considera um artista contemporâneo? Se sim, por quê?
Sim, porque minha produção é toda feita e pensada no aqui e no agora, o artista pode até trabalhar com questões do passado, mas é quase impossível que esse passado não seja de alguma forma, atualizado e presentificado na sua produção.
Para você, o que diferencia os artistas contemporâneos dos artistas modernos, como por exemplo, Marcel Duchamp?
Se no modernismo a arte circunscreveu a discussão no campo especializado da forma, da cor e do espaço, a produção contemporânea reconduz a questão da arte à outras esferas não artísticas como a política, o corpo, a sexualidade, a filosofia, a ética e demais interfaces estabelecidas pela produção cultural de nossos dias.
Como você acha que sua obra se encaixa na exposição Itinerários Itinerâncias do MAM?
Como o próprio nome da mostra nos fala, a obra trás a tona questões como território, trajeto, orientação, desorientação, sobretudo quando foi realizada numa residência artística longe do meu país de origem.
Há quais galerias você faz parte?
Você encontra mais sobre o meu trabalho nas Galerias: www.soso-artecontemporaneaafricana.com e www.paulodarzegaleria.com.br
por Valéria Bretas
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10:53
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