terça-feira, 25 de outubro de 2011

Internet: Cidadania está on-line. Adicione à sua rede





Rede-sociais-SiteHoje em dia é comum encontrar nossos amigos, fazermos compras e até mesmo reivindicar mudanças sociais e políticas, tudo on-line. Pesquisa divulgada pelo IBOPE Nielsen Online aponta que o Brasil alcançou a marca de 77,8 milhões de pessoas com acesso à internet no segundo trimestre de 2011, apresentando crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Este crescimento gera novas tendências de comportamento na rede, afinal a internet está cada vez mais integrada à vida dos usuários.



Facilidade de uso, baixo custo e alto poder de alcance fazem da internet uma valiosa ferramenta para as pessoas darem voz à suas reivindicações. Se um serviço foi mal prestado, é bem provável que haverá um comentário a respeito na web. E as mídias sociais como os blogs, Facebook e Twitter se consagraram como meio para os cidadãos se expressarem e, finalmente, serem ouvidos. Dados do IBOPE demonstram que 39,3 milhões de pessoas acessaram esses sites no terceiro trimestre deste ano, o que representa 87% dos internautas.

A estudante Malu Caires, 18, é usuária assídua de internet, sobretudo do Twitter, onde, além de outras atividades, costuma postar críticas sobre problemas que encontra pela cidade afora. “Acho interessante poder expor certos problemas da cidade, pois é o primeiro passo para encontrar alguma solução. Existem serviços como o Criticar BH, onde além de sermos ouvidos, você também é alertado sobre serviços deficientes encontrados por outros usuários”, indica a estudante.

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O projeto Criticar BH (www.criticarbh.com.br) é uma rede criada em 2009 com o objetivo de reunir opiniões sobre diversos assuntos relacionados à qualidade dos serviços encontrados na cidade. As informações, compartilhadas pelos próprios usuários, servem como indicadores de qualidade para outros membros e como instrumento de cobrança dos responsáveis.

Lucas Castro, psicólogo, estudioso de redes sociais e criador do Criticar BH aponta que a maior parte das críticas compartilhadas na rede são relacionadas a serviços públicos. “Percebemos que BH possui um grande abismo entre serviços públicos e o cidadão, que muitas vezes já esteve pessoalmente em órgãos municipais e estaduais, mas foi frustrado por não encontrar uma solução para o seu problema”, conclui.

O sentimento de identificação entre os usuários, que muitas vezes sofrem com problemas em comum, é um forte combustível na hora de se unir para reivindicar algo. “Lançamos no Twitter a hashtag #AnastasiaMeOuve e pedimos que o governo de Minas apagasse a luz da Cidade Administrativa, que ficava completamente acesa durante a noite e madrugada. Em 24hs, a ação recebeu mais de 18.000 respostas. Hoje, a Cidade Administrativa não fica com todas as luzes acesas durante o período noturno. Foi uma de nossas grandes conquistas”, comemora Castro.

A internet, embora considerada um território “virtual”, está provando sua capacidade de impactar a vida das pessoas no mundo real. Nos feriados de Sete de Setembro e 12 de Outubro, as ruas de diversas capitais brasileiras receberam milhares de manifestantes. Os protestos, conhecidos como “Marcha Contra a Corrupção” foram organizados primordialmente pela web. A série de revoltas no mundo árabe também exemplifica mudanças políticas que se iniciaram e ganharam força por meio da rede de computadores.

“Não tem como pensar a dinâmica das relações sociais sem passar pelas mídias digitais. Podemos pensar que o Facebook e o Twitter um dia irão acabar, mas o comportamento de se comunicar pela internet sem a mediação de ‘autoridades competentes’, trocar informações, criar redes e influenciar uns aos outros, não vai desaparecer. É uma nova forma de interação”, completa Lucas.

webcidadania

por Guilherme Ludwig


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