quinta-feira, 6 de outubro de 2011

“Cartas a um jovem cientista”, de Marcelo Gleiser





Hoje venho falar de um livro que não é especificamente da área de comunicação ou de jornalismo, mas que tem a ver com qualquer carreira. Em “Cartas a um jovem cientista”, o físico Marcelo Gleiser conta um pouco como começou sua trajetória, desafios, medos de adolescente, enfim, tudo o que nós também já passamos (ou ainda vamos passar) um dia.

Em primeiro lugar, quero destacar a principal relação do cientista com o jornalista: a curiosidade. E foi ela que me instigou a comprar e a ler o livro. Sem dúvida alguma, muito mais do que jornalista e sim como cidadão, precisamos saber o que acontece ao nosso redor, sem preconceito algum. Ciência, química, física, economia, política, biologia, e etc., devemos estar a par de todas as disciplinas se quisermos ser bons profissionais, independente da área.

Estou tendo no meu curso de jornalismo a matéria “Jornalismo Científico”, e posso afirmar que durante três anos essa é uma das que mais me interessou, sem contar que o professor é excelente, e foi ele que nos indicou este livro.

Mas a grande dicotomia que o livro aborda se refere à religião e ciência. Será que elas podem caminhar juntas? A minha conclusão após a leitura do livro é que sim, cada uma com suas vertentes. O importante é respeitar os dois lados, mas jamais nos basear em fundamentalismos nem radicalismos. Tudo em exagero não dá certo. Segundo Marcelo, uma das principais preocupações atualmente é com os EUA, que tem se mostrado extremamente radical contra a ciência. E puxando um pouco esse assunto, deixo aqui parte de um texto que meu professor citou em aula a respeito de um dos próximos candidatos a presidência do país norte americano: Rick Perry, atual governador do Texas. Republicano, ele já alcançou boa parte das intenções de voto. No começo do ano, pediu “vigília religiosa” para que voltasse a chover no Estado. Depois, reuniu 30 mil pessoas para uma corrente de orações pela economia. É visceralmente contra o aborto, contra a união gay, e acha que a economia pode reagir na base da fé. Por fim, disse que aquecimento global é “bobagem”. Imaginem o que acontecerá se ele for eleito.

Voltando ao livro do Marcelo, gosto do jeito que ele trata a religião. Segundo ele “Pertenço a um terceiro grupo de cientistas, os que são ateus, mas que entendem e respeitam a importância da fé na vida da maioria absoluta da população mundial. Em minha opinião, a intolerância é não só vil, como inútil”. Sou católica praticante, e não me sinto desrespeitada com suas palavras, muito pelo contrário, acredito que seja uma excelente maneira de pensar. Diferentemente de Richard Dawkins, um ateu extremista, que no livro “Deus: um delírio” escreve que quem ler seu livro, se for religioso, se tornará ateu ao final das páginas. Patético né?

Por fim, achei muito sensata a maneira de o escritor abordar um assunto tão polêmico. Fora isso, suas dicas, idéias e comentários são imprescindíveis. Marcelo começou a carreira como químico, já sabendo que não levava muito jeito pra coisa. Mas para agradar o pai, entrou na faculdade e lá descobriu que não gostava da área, decidiu então mudar para o curso de física, que segundo ele foi a melhor escolha de sua vida. Ele também relembra no capítulo “Contos de Heroísmo”, grandes nomes da história da ciência, como Copérnico, Kepler, Galileu, Newton e Einstein, citando seus feitos, medos e aflições, assimilando-os aos nossos.

O autor possui vários livros publicados, entre eles, “A dança do universo”, que ganhou o prêmio jabuti de 1998, e “O fim da terra e do céu”, que também ganhou o prêmio em 2002. Em 2006 publicou seu primeiro romance “A harmonia do mundo” e também escreveu e participou da série “Poeira das Estrelas” no Fantástico.

Por fim, se você é curioso e adora aprender novidades, o livro te proporcionará uma grande viagem no tempo e até na sua própria vida.

por Fernanda Lima



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