Desde 1969, a obrigatoriedade do diploma para o profissional de jornalismo era prevista por lei; no entanto, em 2009, a decisão do Supremo Tribunal Federal em derrubar a exigência do diploma causou aos estudantes e profissionais da área certa insegurança perante a instabilidade da profissão.
As válvulas de escape se tornam os cursos complementares ao da graduação, que podem colocar em prática os conceitos teorizados na universidade. A OBORÉ, Projetos especiais em Comunicação e Artes de São Paulo existe desde 1978, com o objetivo principal de democratizar os meios de comunicação através de cursos complementares.
Sérgio Gomes, diretor e co-fundador da OBORÉ, afirma que a ênfase dos cursos não é a luta pela mudança do ensino nas universidades, mas sim de criar um ambiente que desenvolva metodologias que facilitem o aprendizado individual no jornalismo. “Nosso trabalho procura dar munição para quem quer lutar, ou seja, criamos as condições para que o processo do aprendizado se realize”.
O principal e mais disputado curso da casa é o projeto Repórter do Futuro, que impõe a proposta de preencher o processo de formação de uma nova geração de bons jornalistas no ponto de vista ético, técnico e cultural. O projeto se divide em módulos, dentre os quais se destacam o Módulo ‘Descobrir a Amazônia - Descobrir- se Repórter’, em que o estudante participa de conferências de imprensa, entrevistas coletivas e palestras com importantes ícones do jornalismo. Ao final de oito encontros, os alunos prosseguem com uma viagem de estudos e reportagens à Amazônia em conjunto com o CCOMSEx – Centro de Comunicação Social do Exército e com a Força Aérea Brasileira.
A estudante de Jornalismo na PUC, Daniele Santos, participou do projeto ‘Descobrir a Amazônia’ em 2010 e afirma ter adquirido maior autoconfiança e amadurecimento na percepção e produção jornalística. “Acredito que a experiência universitária tem que ser vivida para fora dos muros da universidade. Em oportunidades como essa que você tem a chance de ver assuntos que na maioria das vezes, nem são abordados nas aulas. Aprendi muito com os meus professores, mas ganhei muito conhecimento e capacidade de reflexão participando dos debates na OBORÉ”
André Gravatá, participante do mesmo módulo afirma que por meio do projeto, ampliou as próprias perspectivas sobre o Brasil e sobre o jornalismo. “Aprendi, na prática, que o jornalismo só se aprofunda com imersão, experiência. Quando vivemos uma reportagem com o corpo e não apenas com ligações e e-mails, adquirimos vivências que nos marcam”.
O módulo de ‘Situações de Conflito Armado’ possui foco direcionado a aqueles com interesses internacionais. Em parceria com a Delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, e com a ABRAJI - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, o projeto enfatiza o conhecimento sobre as convenções de genebra e o direito internacional humanitário. A estudante Aline Cavalcanti participou deste módulo e relata como a experiência proporcionou uma evolução como repórter, no sentido de descobrir e saber como realizar uma boa pauta. “Absorvi muito conhecimento relacionado às leis, à parte jurídica que envolve um conflito armado, tanto no Brasil, como internacional. Temas relacionados à segurança pública, aos Direitos Humanos, enfim, uma parte muito importante foi o conhecimento teórico envolvido.”
A jornalista e professora da Universidade Mackenzie, Márcia de Toni, enfatiza a importância de que o estudante de jornalismo busque complemento em sua formação por meio de cursos que estão disponibilizados fora da Universidade. “Um aluno que tem a possibilidade de fazer cursos fora daquilo que se tem na grade curricular, obviamente terá uma visão mais ampla da profissão, do país. E com certeza terá mais experiência e mais maturidade para enfrentar o mercado de trabalho”.
O processo de seleção para participar de um dos módulos do Projeto Repórter do Futuro é realizado em uma confraternização, onde os candidatos escrevem um texto em relação ao módulo e realizam um teste de perfil. A avaliação é feita por uma banca de cinco examinadores que escolhem 20 estudantes com potencial destacado.
As inscrições para o módulo ‘Conhecendo a Amazônia’ estarão disponíveis pelo site da OBORÉ no primeiro semestre de 2012 e o módulo de ‘Conflitos Armados’ tem início no segundo semestre.
por Valéria Bretas
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12:00
Guilherme
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