terça-feira, 16 de agosto de 2011

Veja a tendência





Quanta polêmica, quanto bafafá. A revista Veja é conhecida por dar furos e mostrar escândalos (principalmente sobre políticos), ser uma revista de direita, que oprime o PT, vive em lua de mel com os tucanos e exagera em suas matérias. Senso comum.

Mas será que o senso comum é o correto? Pelo que aprendi na faculdade, os cidadãos, e principalmente nós jornalistas, não devemos dizer amém para tudo. Precisamos ser críticos, buscar saber mais sobre o assunto, ou seja, ir sempre além.

E aí entra aquela matéria da faculdade que a maioria odeia: filosofia. Contudo, ledo engano achar que filosofia é teoria chata, e que não serve pra nada, pois está relacionado ao nosso senso crítico. Já dizia uma professora minha: “A filosofia nos possibilita a compreensão da crise do poder de Estado, das mudanças sociais, das perspectivas existenciais e de sentido da vida. Desenvolve nosso raciocínio crítico e nossa consciência o que nos permitirá encontrar um novo modelo de sociedade civil, de relações de trabalho, de nova identidade e de novas perspectivas de existência”.

Agora você deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com a Veja. Simples: virou clichê odiar a revista. Não sei como isso começou, mas o ódio hoje em dia é tanto, que já existem inclusive movimentos contraditórios à sua publicação, além de campanhas e comunidades criadas nas redes sociais.

Em primeiro lugar quero deixar uma coisa bem clara: não sou de direita, não sou apaixonada pela Veja, muito menos acho que ela está correta em tudo o que faz. Mas temos que admitir que é uma revista renomada, e se faz tanto sucesso não é por menos. Aliás, mais do que isso, não podemos deixar batido, e sim sugar toda sua informação. Mas eu adoraria ver se todos os que falam mal realmente já pegaram uma para ler, do começo ao fim, todo o seu conteúdo. Sou a favor de críticas desfavoráveis, mas com argumentos. O senso comum já caiu no ridículo.

Aqui em casa nós sempre assinamos a revista, como também já assinamos outras semanais. E posso confessar: também tinha esse preconceito. Mas acredito que independente de tudo, é jornalismo, é informação. E se você ficou em dúvida quanto à veracidade da informação contida na revista, tais quais suas matérias, corra atrás e busque ao infinito e além. Se auto desafie. Concordo plenamente que a revista exagera em algumas ocasiões, mas é um estímulo para que não cometamos o mesmo erro. E vamos combinar: é muito melhor aprender com os erros dos outros.

O primeiro preconceito desmistificado e mais falado por aí é que a revista é peemedebista e anti PT. Balela. Já vi muitas matérias criticando o PT (mensalão, ministro da fazenda que enriquece, e etc), mas também já vi inúmeras matérias criticando o PMDB, ou até outros partidos, que sempre são notícias.

As pessoas adoram dizer que a revista é tendenciosa. Mas vamos analisar: tendência é uma coisa ruim? Que eu saiba não. Mas isso não tem nada a ver com o jornalismo, que claro, deve ser sempre objetivo e buscar ser imparcial. Afirmo que sim, a revista é tendenciosa, mas muitas das vezes a tendência se relaciona com a revolta de nós brasileiros com as situações que andam acontecendo por aí. O que me intriga é porque pegam tanto no pé da Veja, mas não pegam no da Época, ou até da Piauí, que também contam com opiniões próprias nos textos? Esses dias um amigo gay pegou uma que estava na minha bolsa e começou a ler. Quando viu uma matéria falando sobre os gays, jogou a revista longe, nem quis saber sobre o que falava. Já achou que a revista ia falar mal, ser preconceituosa. Fiz questão de ler a matéria para ele, que falava sobre a nova lei dos casamentos homossexuais, sem nenhum tipo de preconceito e com uma abordagem ótima.

O motivo da minha revolta é que o jornalismo/jornalista não nasceu para brilhar, nem para ser a notícia. O objetivo é dar a notícia. E fica esse diz que me diz, um se preocupando com uma revista disse ou com o que a outra disse, e pronto, o jornalismo vai embora pelo ralo.

Sou estudante de jornalismo, e posso afirmar com todas as letras que a leitura não só da Veja, como da Época, da Brasileiros, da Piauí, de jornais, e entre outros, me tornou uma pessoa crítica, embora ainda tenha muito o que aprender. Devemos sempre estar atentos a tudo o que é notícia. Se escolhemos essa profissão, foi por amor (pelo salário é que não foi), e por isso o máximo, infelizmente, ainda é o mínimo.

“Falem bem ou falem mal, mas falem de mim” poderia ser o jargão da revista, que já conta com mais de 1 milhão de seguidores no Twitter, seguida por Estadão (195 mil), Folha (165 mil) e Época (138 mil).

Essa leitura assídua que tenho da revista, me permite também afirmar que existem muitas falhas. Já houve inúmeras, que não me recordo agora, mas sem dúvida uma das que mais me decepcionou foi a desse último fim de semana.

A revista aponta irregularidades na pasta de Wagner Rossi, Ministro da Agricultura, como corrupção, cobrança de propina e de usar dinheiro público. Até aí, nada de muito surpreendente. Achei a apuração o máximo, mas como boa jornalista, corri atrás para saber um pouco mais da história, pois quando terminei a leitura me deparei com uma grande lacuna: faltou conversar com o outro lado da história, o próprio ministro. E de prontidão já descobri uma coisa que não me agradou: o ministro respondeu sim às perguntas enviadas pela revista, mas esta não fez questão de publicá-las. Erro feio né? Grotesco, diria. Inclusive, coloco aqui o direito de resposta do Ministro, publicado no site do ministério. Clique aqui para ler!

Capa de 13/08

Mas entre seus erros e acertos, posso afirmar que todos os veículos, sejam impressos, web, TV, radio e até as assessorias, as vezes cometem alguns deslizes. A Rede Globo foi um das que mais apoiou a ditadura e escondeu fatos importantíssimos para a democracia do país, mas hoje em dia ainda é campeã de audiência. Não julgo, pois como disse, é notícia, é informação, e não vou deixar de assistir ou de ler por causa de um ou outro erro.

Aliás, hoje em dia o mais difícil de encontrar é algum veículo que tem total isenção. Nas eleições passadas alguns inclusive escancararam suas apostas, como o Estadão e a Folha de SP.

Por fim, sugiro que mesmo você odiando a revista, leia pelo menos os artigos de opinião, como os da Lya Luft, Maílson da Nóbrega, J.R. Guzzo. Também indico as matérias sobre educação, do Gustavo Ioschpe. Volto a dizer: quanto mais informação melhor. Não custa nada, e faz bem ao senso crítico.

por Fernanda Lima
@lima_fefe



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