quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Punk rock: estilo musical e ideologia





No último sábado (20/08), em visita a exposição “I am a cliché: ecos da estética punk”, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, pude analisar e aprender um pouco sobre as diversas características de um grupo que mistura música, comportamento, artes e subversão em um rico conjunto cultural: os punks.

O movimento punk surgiu nos Estados Unidos durante a década de 1970 como uma forma de manifestação cultural da juventude. Esta tribo urbana tinha como principal ideologia a contestação do sistema e o pensamento livre. Em 1974 surgiu a primeira banda que uniu o movimento punk à música: Os Ramones, dando origem ao punk rock. Alguns meses depois chegou à Inglaterra, e posteriormente ao Brasil, onde inspirou vários jovens a manifestarem-se contra o regime militar, sempre através da música, através de bandas como AI-5 e Aborto Elétrico.

Classificado como uma “fraude do rock ‘n roll” por Malcom MacLaren (ex-empresário da banda Sex Pistols) por apropriar-se de vários instrumentos musicais e adaptar o estilo à sua forma subversiva, o punk rock tornou-se rapidamente popular entre os jovens devido à linguagem simples e pela composição musical com poucos acordes, facilitando e inspirando vários jovens estadunidenses a ter a sua própria banda, o que era considerado muito difícil; os artistas do rock ‘n roll como Elvis Presley (O Rei do Rock) e Stevie Wonders, por exemplo, eram considerados estrelas da música, porém também vistos como distantes do público pela falta de identificação popular. O punk rock quebrou esta distância ao personificar em um estilo musical os ideais da juventude da época, aproximando-os da música.

Na exposição, aspectos da estética das bandas punk foram abordados nas 150 obras de artistas como Andy Warhol, David Wojnarowicz e Jamie Reid. A fotografia e a iconografia (representação de determinado assunto através da imagem) tiveram destaque. As capas de discos das bandas inglesas expostas abordaram que o niilismo, a política e o deboche com as autoridades e personalidades do país caracterizaram a origem de uma estética singular da cultura punk. No single God Save The Queen, do Sex Pistols, já no título há o sarcasmo em alusão ao hino nacional britânico, assim como na letra e na capa do álbum, onde a monarquia é criticada através da imagem da própria rainha da Inglaterra. Estas representações artísticas do movimento punk marcaram o manifesto da geração dos anos 1970, que usou visuais chocantes e músicas rebeldes como antídoto para a crise no país.

A imagem do movimento punk esteve sempre atrelada a narcóticos, prostituição, violência e criminalidade, o que gera certo preconceito contra este grupo. As seguintes manchetes da década de 1980 dão a entender que os punks são perigosos, na melhor das hipóteses: “Festa dos punks termina com prisões”, “Vizinhança reclama e festival punk termina em tumulto”, “Segundo ataque punk ao ABC paulista”. A rebeldia e contestação sempre foram características do punk rock, e de fato os temas citados são abordados nas letras das músicas punks com grande freqüência, e isto ocorre porque, por ser um movimento de contracultura que se assemelha ao anarquismo diante da subversão ao sistema, o punk chega até lugares periféricos onde o Estado não interfere (subúrbios, guetos, bordeis, casas de show, clubes noturnos, etc), onde tais situações estão presentes com freqüência. Estes locais servem de inspiração para a composição de músicas, relatando a realidade através de protestos sarcásticos, pessimistas e/ou críticos, entre outras formas de manifestação. Para além de seus aspectos positivos ou negativos, o punk rock é uma grande crítica social.

Serviço:
Até 2 de outubro || De terça a domingo, das 9h às 21h
Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro I
Informações: Rua 1° de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro ou através do site
Tel: 3808-2020
Entrada franca.

por Vinicius Damazio



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