Na última semana, o Ministério da Saúde informou que irá disponibilizar medicamentos gratuitos nas farmácias populares às pessoas que sofrem de diabetes e hipertensão, através do Programa Saúde Não Tem Preço. Foi uma excelente medida do governo, visto que aproximadamente 10 milhões de brasileiros possuem diabetes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e 23,3% sejam hipertensos, segundo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além disto, é importante que os cidadãos que não possuem condições de arcar com as despesas geradas pelo tratamento destas doenças crônicas sejam assistidos.
Neste contexto, reflito sobre a seguinte questão: Por que em nosso país há a cultura de esperar a doença para tratá-la e curá-la? A única exceção entre as diversas enfermidades crônicas que possui uma grande campanha nacional de prevenção é a AIDS. As outras são praticamente ignoradas, só tendo o seu problema resolvido depois que as pessoas já estão doentes, através da medicação. A prevenção, que combate a doença pela atenção prestada à situação de risco à saúde, muitas vezes é ignorada.
A maior parte das doenças crônicas está diretamente ligada com o estilo de vida que a pessoa possui. Por exemplo: a má alimentação é uma das principais causas do diabetes mellitus tipo 2; o fumo é uma das causas da hipertensão; uma vida sexual desregrada é preponderante para adquirir a AIDS. Por que então não criar políticas públicas que proporcionem, incentivem e aumentem a prevenção no país? Do ponto de vista da máquina pública pode ser extremamente lucrativo para o governo não ter que gastar milhões de reais todos os meses com medicamentos para uma determinada população que adquiriu diabetes por não se alimentar corretamente, substituindo este gasto com campanhas de prevenção – que, em longo prazo, dão certo -.. Mas, do ponto de vista político/econômico, parece que a questão é mais complicada.
O lucro gigantesco das indústrias farmacêuticas - fortalecidas depois da implementação dos medicamentos genéricos pelo ex-ministro da Saúde José Serra, em 1999 -, parece agir na contramão das políticas de prevenção, a partir do momento em que a prevenção traz um efeito dominó de prejuízo para as indústrias: a diminuição do número de doentes diminui o consumo de remédios, pois não é preciso comprar tantos remédios se não se está doente. Então, prevenir para que?
Não pretendo condenar as indústrias farmacêuticas, pois é evidente que muitos remédios são fundamentais para o tratamento e a cura de várias doenças e auxiliam a população efetivamente. Porém, o que vemos é que o velho ditado “É melhor prevenir do que remediar” não se ajusta à realidade brasileira.
O destaque importante desta questão é que, além das políticas de prevenção que o governo deve exercer para proteger a população, cada um precisa se prevenir da maneira que estiver ao seu alcance. Em um mundo em que quase tudo está condicionado financeiramente, muitas vezes ter uma dieta balanceada e hábitos saudáveis não está ao alcance da maioria, mas sempre há alternativas, até mesmo através de pequenos detalhes. Vai um suco de laranja natural no lugar do refrigerante?
por Vinicius Damazio
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