Bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro. Quando se ouve este nome, a primeira imagem que vem a cabeça é a de um tradicional bairro carioca, marcado pelo valor cultural e de forte tradição, que ostenta como principal símbolo o famoso “bondinho”, como é carinhosamente conhecido, veículo de transporte extremamente utilizado no Rio de Janeiro até o final do século XIX e início do século XX.
Atualmente, a única linha de bonde na cidade é justamente no bairro de Santa Teresa; tal fato atrai diversos turistas diariamente, que se encantam pela história e pela bela paisagem proporcionada pela viagem do bonde, e resolvem fazer um passeio.
Porém, desta vez, o bonde foi palco de uma tragédia na capital fluminense. No último sábado, 27/08, ele descarrilou deixando 57 feridos e cinco mortos. A negligência da empresa estatal responsável, a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (CENTRAL), aparenta ser o principal fator responsável pelo trágico acidente no cartão-postal carioca. Além disso, a capacidade máxima do veículo era de 44 pessoas. No acidente, 62 pessoas estavam a bordo do bonde.

A CENTRAL alegou que a culpa pelo acidente é do condutor, que morreu no desastre, pois segundo o depoimento de outro maquinista o veículo havia sofrido uma pequena colisão com um ônibus antes do descarrilamento e não foi levado para a garagem pelo maquinista seguinte. Porém, a perícia realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli mostrou que as condições mecânicas do bonde eram precárias: havia um arame improvisado onde deveria haver um parafuso, e falhas evidentes no freio do veículo. Como agravante, o governo do Estado foi condenado pela Justiça, em 2008, a substituir os bondes de Santa Teresa, mas recorreu duas vezes e não cumpriu a decisão. Desde o período, apenas medidas paliativas foram tomadas.
Este é o terceiro acidente recente no bonde de Santa Teresa. Em 2009, uma professora morreu atropelada por um ônibus após descer do bonde, que havia perdido o freio. No início deste ano, um turista francês morreu ao se debruçar na grade de proteção do bonde para tirar uma fotografia. A barra cedeu e o turista morreu na hora, após uma queda de 15 metros.
Após o acidente, o serviço do bonde está interditado por tempo indeterminado. O governo tomou a medida necessária apenas após um acidente de grande porte, demonstrando sua irresponsabilidade. A pesada indenização que deverá ser paga às vítimas é o mínimo que deve ser feito após a tragédia, mas não corrige o grave erro cometido. A pergunta que fica desta situação é recorrente: até quando o Governo do Rio de Janeiro será negligente diante de situações de risco, isento da sua responsabilidade social e ignorando serviços essenciais ao povo carioca?
por Vinicius Damazio
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