terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nova polêmica lei para o uso de celulares em bancos





Esta semana começou com várias manchetes que vão desde a eleição do Primeiro Ministro do Japão, Yoshihiko Noda, até o anuncio de que a Argélia recebeu a esposa e os filhos do ditador Muammar Khadafi, ainda desaparecido. Mas uma notícia em especial me chamou atenção, e essa é brasileira, mais precisamente paulistana.

O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab sancionou a lei que proíbe o uso de aparelhos celulares dentro de agências bancárias. Quem desrespeitar a lei, que foi publicada anteontem no Diário Oficial, pode pagar multa de R$ 2,5 mil (que pode ser dobrada em caso de reincidência). Embora sancionada, ela ainda não tem caráter punitivo, para que os bancos tenham tempo de se adaptar à normalização.

Agora eu me pergunto cá com meus botões: para que? Sinceramente, esse prefeito cada dia me surpreende mais. Esses dias eu vi uma matéria sobre os feitos e obras de antigos prefeitos da querida terra da garoa, alguns muito significativos, outros nem tanto (como aquele conhecido caso do “rouba mas faz”, de Paulo Maluf). Quando chegava ao atual prefeito Kassab, dizia que a única coisa significativa que ele fez foi a Lei Cidade Limpa, que proíbe a poluição visual na cidade.

Deve ser duro para um prefeito que em quase quatro anos de mandato ser conhecido apenas por essa pífia lei. Claro que existem outras coisas (absurdas ou não), mas a população não fica sabendo. Melhor dizendo, ninguém vai atrás e a prefeitura muito menos faz seu trabalho mínimo de divulgação. Aliás, no site da prefeitura (nesse já vi escrito “laser” ao invés de lazer) as novidades estão sempre lá, mas ledo engano achar que todos têm acesso à internet. É uma vergonha.

Mas voltando ao foco do assunto, a lei me parece uma bobagem. Quer dizer, por culpa de alguns policiais que não fazem a sua parte, que é zelar pela sociedade, nós pagamos o preço (bem salgado, diga-se de passagem). Depois de centenas de caixas eletrônicos explodidos e nenhuma ação que efetivamente solucionasse os casos, a ideia é proibir. Está ruim, proíbe. Ou seja, se os ladrões começarem a assaltar supermercados, não poderemos mais comprar comida? Hipoteticamente falando, se encaixa perfeitamente com a situação. Concordo plenamente que a nova modalidade de assalto, as “saidinhas” de banco, tem sido frequentes. Mas aumentar o policiamento na rua jamais, certo? Vamos é proibir que está ótimo.

O que mais me chama atenção, e que seria cômico se não fosse trágico, é que a megalópole conta com milhares de bancos, um a cada esquina, e sabem como será feita a fiscalização para impedir o uso dos aparelhos telefônicos? Com 700 fiscais. Não, eu não estou brincando. Funcionários do banco de nada podem fazer, a não ser pedir encarecidamente que o meliante desligue ou pare de fuçar no aparelho. Quer ouvir música para passar o tempo de espera daquela fila de duas horas? Não pode. Quer ligar pro chefe, pra mãe, pro marido e avisar que vai se atrasar? Não pode. Quer mandar SMS pro Papa? Não pode. A farra acabou.

Óbvio que a medida é completamente insuficiente para prevenir assaltos de qualquer tipo. É necessário um conjunto de ações para que haja algum tipo de resultado. Mas Kassab está mais preocupado com seu novo partido, que não é nem de esquerda, nem de direita. Temos que dar uma chance para ele, coitado. É brincadeira viu...

A proibição já acontece em 22 cidades. Vamos aguardar as estatísticas para ver o resultado que a nova lei terá. Espero de verdade que eu esteja errada.

por Fernanda Lima



Compartilhe:

0 comentários:

Postar um comentário