terça-feira, 23 de agosto de 2011

Elevação do teto da dívida externa dos EUA não evita recessão





Em meio a muita tensão, no último dia 2, os EUA conseguiram elevar o teto da dívida pública para 2,1 trilhões de dólares, evitando-se assim um vergonhoso calote. Mas será que mesmo depois do Presidente Barack Obama assinar o plano de elevação da dívida a economia pode respirar aliviada? Tudo indica que não.

Os EUA, considerados até então exímios devedores, vêem agora sua economia ameaçada e uma recessão iminente. Durante a crise, segundo a Revista Veja do dia 10 de agosto, 3,4 trilhões de dólares já foram queimados nas bolsas americanas. Para piorar o cenário, a agência de avaliação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota da dívida americana de AAA, para AA, levando em consideração o fato de que os títulos dos EUA não são mais tão confiáveis. As agências Moody's e Fitch mantiveram o “triplo A”.

Com visões antagônicas, Democratas e Republicanos apresentaram suas idéias ao Congresso. Ambos concordaram que a economia precisa se equilibrar, mas os modos de como fazer isso foram heterogêneos. O impasse afetou o mercado e o Governo optou então por uma proposta bipartidária. Obama afirmou ainda que os partidos precisam trabalhar em equipe: “A emenda do teto da dívida é apenas o primeiro passo, e exigirá a cooperação dos dois partidos. Temos que criar ambiente favorável para negócios, além de mais empregos, salários mais altos (que incentivam o consumo) e crescimento econômico acelerado”.

Mas a crise já começou. Um dos exemplos é que na semana passada, a Nasdaq, bolsa das empresas de tecnologia, caiu em 6,9%, mas se recuperou rapidamente, fechando a semana com queda acumulada de 0,96%. Se os EUA não se recuperarem o mais breve possível, o drama da crise de 2008 poderá ressurgir, gerando desemprego e suspensão de investimentos.

Para o Brasil, uma das principais conseqüências da crise seria o aumento do custo de financiamento para bancos e empresas e valorização dos produtos importados. Mas segundo Carlos Lupi, Ministro do Trabalho, a crise não afetará o Brasil. “A crise não vai ter impacto no Brasil. Acredito que o que tinha que acontecer já aconteceu. Essa crise é de especulação. Tem alguns fatos reais, mas muito é especulação”, afirmou.

Dívida pública

A dívida pública são os empréstimos que o Estado obtém para poder pagar gastos referentes à saúde, obras, aposentadorias e pagamento de credores.

O que gerou a dívida?

Gastos militares com as guerras do Iraque e do Afeganistão e a crise financeira de 2008 foram um dos principais fatores. O limite, até então de US$ 14,3 trilhões, foi atingido em 16 de maio.

por Fernanda Lima



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