segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dos Zapatistas aos Hackers: Guerra Cibernética: 1994–2011 - Parte 2





O Estado de Chiapas no México do PRI – O contexto da primeira guerra cibernética da história – Parte 2
488577Começamos nossa jornada pelo primeiro movimento a utilizar a internet como instrumento de combate ao governo. Agora, o primeiro passo é entender o contexto a qual se encontrava aquele povo. Novamente você irá perceber que a corrupção dos políticos e o envolvimento de grandes corporações foram fatores chave para o desencadeamento da revolta.

O estado de Chiapas situa-se na região sudoeste do México e sua população, cerca de 4,5 milhões, é formada basicamente por mestiços e índios, os últimos, por sua vez, são de maioria descendente dos maias. Chiapas é um dos estados mais pobres de seu país, e historicamente sofre com latifundiários, empresas e governo, que exploram os trabalhadores em suas vastas terras. A economia local baseia-se basicamente na agricultura, sendo seus principais produtos o milho e o café. O turismo também contribui na economia de Chiapas.

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O estado constituía uma das principais bases eleitorais do PRI (Partido Revolucionário Institucional), visto que os caciques locais impunham votos a seus povos, manipulando e tirando o direito democrático destes. Por ser um governo uni partidário, (o PRI esteve no poder entre 1929 e 2000) foi marcado por agir de acordo com seus interesses, gerando, entre outros problemas, a exclusão social de povos como os de Chiapas. A corrupção e as fraudes eleitorais também se tornaram tradicionais no país.

A precariedade e a pobreza vivenciadas pela população de Chiapas vinham aumentando com o passar dos anos, e os movimentos de oposição ao governo naturalmente iam ganhando forças. Na década de 70, iniciou-se o primeiro conflito gerado entre o governo e algumas tribos em razão de terras. O governo Echeverria decidiu criar a “biorreserva” de Montes Azul, devolvendo terras à mais de 4 mil famílias das tribos Lacandon, que no passado haviam sido expulsas de suas propriedades. No entanto, por trás da ação do presidente, residiam os interesses de uma empresa chamada Cofasa que exploraria a madeira da floresta com o consentimento da estatal Nacional Financeira (NAFINSA). Os colonos não aceitaram esta condição. Conseqüentemente iniciou-se uma luta de mais de 20 anos pelas terras, que contou com vasto apoio da Igreja Católica, sobretudo na mobilização, organização e educação dos povos indígenas locais.

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Em 1988, Salinas Gotardi assumiu a presidência do México, e logo iniciou um processo de modernização econômica no país. Tal processo atingiu drasticamente os povos da região de Chiapas, pois sua frágil situação econômica ia piorando a cada nova medida tomada pelo governo.

200px-Carlos_SalinasA primeira medida tomada por Salinas que prejudicou seriamente os índios de Chiapas foi o abolimento dos direitos legais das comunidades indígenas, que haviam se assentado pela segunda vez na floresta de Lacandon. O pretexto usado foi a Conferência sobre o Meio Ambiente realizada no Rio de Janeiro, realizada em 1992. A criação do gado também foi restringida. E para completar, as políticas de liberalização da economia mexicana dos anos 90, durante a fase de preparação para o ingresso no Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), aboliram as barreiras alfandegárias sobre a importação de milho e acabaram com o protecionismo dos preços do café. A de milho foi desmantelada. Assim os camponeses da região mal poderiam competir com as empresas ou vender os produtos base de sua economia por um preço aceitável.

Diante dessas medidas, os camponeses mobilizaram-se pacificamente tentando mudar o quadro. No entanto, após a marcha de Xi’ Nich, que reuniu milhares de camponeses de Palenque à Cidade do México, ter sido ignorada, resolveram mudar sua tática radicalmente. Em meados de 1993, a maioria das comunidades de Lacandon parou de produzir milho e café, as crianças pararam de estudar e todo o gado foi vendido para a compra de armas. Preparavam-se para uma guerra de guerrilha.

O Movimento Zapatista ficaria conhecido internacionalmente a partir do dia 1º de janeiro de 1994. Logo após o México aderir-se ao NAFTA, o Exército Zapatista de Libertação Nacional foi às ruas e, armado, tomou dezesseis municípios do estado de Chiapas numa luta sangrenta que durou 24 dias. Foram 54 mortos e 40 feridos. No ano seguinte, fizeram uma consulta popular sobre a possibilidade de se transformar em um partido político. Com o apoio maciço dos quase 2 milhões de cidadãos participantes, foi criado em 1996, o Partido Zapatista. Suas ações políticas abalaram seriamente o PRI, além de eliminarem as fraudes nas eleições.

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Acompanhe nossa próxima postagem sobre quem foram os zapatistas. Descubra qual o perfil do grupo, qual sua ideologia e como, na década 90, uma parcela pobre da população teve acesso à internet.

por Guilherme Ludwig
Parte 1: Dos Zapatistas aos Hackers: Guerra Cibernética: 1994 – 2011
Parte 2: O Estado de Chiapas no México do PRI – O contexto da primeira guerra cibernética da história
Parte 3: Os Zapatistas. Quem são?
Parte Final: Guerra Cibernética



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