terça-feira, 28 de junho de 2011

Global Report – Afeganistão longe de estar livre da presença talibã e dos EUA





O Afeganistão sofreu mais um dia de ataques suicidas na capital Kabul. O alvo dos insurgentes talibãs desta vez foi o Hotel Intercontinental, responsável por hospedar líderes políticos e jornalistas de todo o mundo.

Foi na hora do jantar que três homens bomba se suicidaram no portão principal facilitando a entrada de pelo menos outros seis homens armados. Até o momento relatórios indicam que cerca de dez pessoas foram mortas, além de um grande número de feridos que as autoridades afegãs não sabem precisar.

Hotel Intercontinental

Conhecido pelo seu forte esquema de segurança não é a primeira vez que o Intercontinental é alvo de ataques. Entre 1992 e 1996 durante uma guerra de facções rivais afegãs o hotel foi alvo de vinte mísseis. A violência no país tem aumentado consideravelmente desde a morte do líder da al-Qaeda Osama Bin Laden em 2 de maio deste ano no Paquistão.

A principal questão que surge neste momento é se o governo americano pode realmente começar a retirada das tropas previstas para ser iniciada em julho próximo. Ano passado o presidente Barack Obama já anunciava o  início do cumprimento, desta que foi uma de suas promessas de campanha. A previsão é de que 10 mil soldados retornem aos Estados Unidos este ano e outros 23 mil até setembro de 2012.

O líder do exército norte-americano no Afeganistão, general David Petraeus, já previa que esta possível retirada de tropas seria inviável e que a data que Obama vinha apontado para a retirada das tropas poderia ser prematura. E é isto que vem se mostrando nas últimas semanas, depois de alguns meses de avanços militares significativos no território afegão, a morte Osama parece ter dado um novo fôlego para os militantes da al-Qaeda espalhados por todo o país.

Outro motivo para a retirada das tropas americanas seria a economia para os cofres dos Estados Unidos que apresenta um endividamento histórico de quase 15 trilhões de dólares. A presença americana no Afeganistão tem custado mais de US$ 110 bilhões anuais e parece estar longe do fim, ainda que embora a retirada total dos 100 mil militares americanos esteja prevista para meados ou final de 2014.

O que não pode acontecer é a pressa de Obama para não fazer feio frente ao seu eleitorado na disputa presidencial do ano que vem interferir nos avanços militares e de pacificação do território afegão.



por Alan Vasconcelos



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