quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dos Zapatistas aos Hackers: Guerra Cibernética: 1994 - 2011 - Parte Final





Guerra Cibernética

488577Mais de 20 anos de lutas. Protestos sem sucesso e um governo que parecia não dar a mínima para o sofrimento de um povo. O tempo passou e a tecnologia foi evoluindo. A instalação de uma rede de internet no estado de Chiapas possibilitou que um povo gritasse para o mundo sobre seus problemas. O modo de fazer uma revolução seria revolucionado. Este é nosso último post sobre a primeira guerra cibernética da história.



O ano que marcaria o início da vigência do NAFTA no México ficou mais conhecido por outro motivo. 1º de janeiro de 1994, o autodenominado Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) inicia uma guerrilha no estado de Chiapas, no Sul do México. Depois de 24 dias de conflitos e um saldo de 54 mortos e 40 feridos, o EZLN se tornaria famoso por outra ação, além da guerrilha armada. As caixas de e-mails de jornais, organizações e fundações do mundo inteiro, seriam inundadas de mensagens sobre o ataque, o movimento zapatista e a precária situação de Chiapas.

A grande mídia mexicana havia sido driblada pelos revolucionários. A repressão a eles se tornou difícil, pois então todo o mundo passaria a observá-los e apoiá-los, pressionando o governo mexicano. A maneira, até então inovadora, de enfrentar o governo baseando-se no uso da informação e evitando a violência, trouxe aos zapatistas grande prestígio mundial.

cartellZapatistasGrupos de jovens, intelectuais, representantes de organizações não-governamentais, artistas e políticos, principalmente na Europa, responderam aos e-mails do subcomandante Marcos e pressionaram em seus países para que o governo mexicano suspendesse o cerco à selva de Chiapas e ao avanço militar sobre as comunidades indígenas, em busca dos zapatistas, em agosto de 1994. A comunidade internacional manteria apoio permanente ao movimento.

A dificuldade do governo mexicano em controlar a guerra virtual promovida pelos zapatistas era cada vez maior. O fato do conflito não envolver uma área geográfica específica, mas um espaço ilimitado, impossibilitava os repressores de desqualificar os revolucionários. A possibilidade de sujeitos autônomos, em qualquer lugar do globo, poder aderir ao movimento e influenciarem diretamente seu rumo através do uso da informação, foi a chave do sucesso desse movimento via internet. As mobilizações favoráveis aos zapatistas em 27 países impactaram seriamente o PRI, que diante da pressão, acabou por reconhecer o EZLN como um movimento legítimo.

Os zapatistas não seguiam as velhas ideologias dos movimentos revolucionários comuns. Não tinha fórmula, linhas, estratégias, táticas, leis ou regulamentos. Apenas lutava por mudanças no mundo que conhecemos. E nessa luta, qualquer um poderia participar e contribuir. Esse novo estilo de ativismo, onde a internet é a plataforma usada pelas pessoas para expressar sua luta contra as adversidades causadas por interesses políticos e empresariais, consagrou-se em 1999. Neste ano, ativistas se mobilizaram através da internet para protestarem, na rua, contra a reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC), ocorrida em Seattle, Estados Unidos.

O ELZN usou da tecnologia e da informação para combater o neoliberalismo. Clique nas imagens para conhecer o site do movimento, a revista Rebeldia e o canal no Twitter.

Sem títulorebeldiatuiter

Sua intenção de mudar o sistema político mexicano, alterando a dura realidade enfrentada não só em Chiapas, mas em todo o país, acabou por conseguir outra conquista. Paralelamente às mudanças políticas, os zapatistas revolucionaram a maneira em que os movimentos de resistência do mundo inteiro usavam a internet. O subcomandante Marcos relevou ao planeta outra maneira de lutar contra a desonestidade dos governos.

Hoje a internet se vê cada dia mais difundida. Certamente, aqueles que a usam como meio para se expressarem a favor de mudanças ou mobilizarem lutas, passeatas e movimentos “reais”, ainda que não saibam, estão repetindo o que há 17 anos foi feito pelos zapatistas.

Para finalizar, assista a essa montagem feita com cenas do DVD Battle of Mexico, gravado pela banda de rock americana Rage Against The Machine. O grupo, conhecido pelo ativismo político demonstrou apoio a causa zapatista divulgando o movimento através de sua música. A composição mais famosa em apoio aos mexicanos foi batizada de Zapata’s Blood (Sangue de Zapata), onde no refrão é repetida a frase “O sangue de Zapata não foi derramado em vão”.


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por Guilherme Ludwig


Parte 1: Dos Zapatistas aos Hackers: Guerra Cibernética: 1994 – 2011
Parte 2: O Estado de Chiapas no México do PRI – O contexto da primeira guerra cibernética da história
Parte 3: Os Zapatistas. Quem são?
Parte Final: Guerra Cibernética



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