domingo, 26 de junho de 2011

Dos Zapatistas aos Hackers - Guerra Cibernética: 1994 – 2011






Entenda um pouco mais sobre a mais recente batalha de internautas contra o governo e depois navegue pela história do Movimento Zapatista, primeiro grupo a utilizar a internet como espaço de luta por mudanças políticas.

A internet se consagrou como um importantíssimo meio de disseminação de informações. Através dela, qualquer um pode produzir conteúdo e compartilhar na rede, na maioria das vezes, sem custo algum. Alguns a usam apenas como fonte de entretenimento, outros para divulgação de seu trabalho. Mas também há aqueles que fazem da web um espaço de ciberativismo, onde driblam a mídia para postar informações sem a conveniência de uma edição ou censura.

Ultimamente dois grupos hackers têm ganhado fama nos noticiários do mundo inteiro por desafiar governos e grandes empresas. Anonymous e LulzSec foram considerados os responsáveis por ataques aos sites de diversas instituições públicas e privadas. Além de invadir as páginas, os hackers roubaram uma série de informações sigilosas, o que inclui dados pessoais de usuários e documentos confidenciais do governo. Nos últimos dias, declararam guerra a todos os governos e grandes corporações do mundo.

Abaixo o logotipo das organizações. LulzSec à esquerda e Anonymous à direita da tela.

logotipo dos grupos hackers
Muitos achavam que os dois grupos eram rivais, mas para a surpresa de todos, neste mês os clãs anunciaram sua aliança. No site oficial do LulzSec Brasil, há uma cópia da nota declarando a união. “Nossa frota de batalha Lulz Lizard agora está declarando guerra imediata e ininterrupta aos moderadores e ladrões de liberdade de 2011”, diz uns dos trechos. Em outro, a aliança é citada, “Para aumentar os esforços, nós agora estamos nos unindo ao Anonymous e todos os navios de guerra afiliados”.

Batizada de “Operação Anti-Segurança” (#Anti-Sec), a guerra declarada pelos hackers tem como alvo os governos, bancos e grandes corporações do mundo. E para atingir seu objetivo, eles convocam todos aqueles que desejam contribuir de alguma forma. “Nós apoiamos completamente o uso da palavra ‘AntiSec’ em qualquer desfiguração de sites do governo ou grafite físico. Nós queremos que você divulgue o AntiSec por toda parte, porque ele será lembrado”, afirmam em nota.

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O mais interessante disso tudo é o fato de os dois grupos incentivarem ao máximo a participação popular. Sob o discurso de que todos são anônimos e iguais na luta pela democracia, eles disseminam sua mensagem pelos mais variados meios na internet, recebendo um imenso apoio dos internautas, que multiplicam o conteúdo. São vídeos publicados no Youtube, imagens em formas de cartazes, logotipos, links para notícias em grandes portais, textos postados em blogs, sites, Tumblr e Twitter, fóruns de discussão e até um canal direto de comunicação.

Talvez estamos diante de uma guerra cibernética, onde o campo de batalha não é físico, e as armas não são de fogo. A internet é o front de luta e a informação municia os soldados. Na era digital, em pleno ano de 2011, onde a web tem uma presença mais marcante do que nunca na vida das pessoas, esse cenário de guerrilha no ambiente virtual não é inédito. Há quase duas décadas atrás, quando a internet apenas engatinhava, um grupo insurgente usou dessa poderosa ferramenta para enfrentar um governo sujo que assolava seu povo.

Confira a série de três postagens onde iremos falar sobre a primeira guerrilha informacional da história, contextualizando a motivação política para tal acontecimento, quem promoveu a batalha e como a rede mundial de computadores foi essencial na luta de um povo por mais justiça e democracia.

Parte 2: O Estado de Chiapas no México do PRI – O contexto da primeira guerra cibernética da história
Parte 3: Os Zapatistas. Quem são?
Parte Final: Guerra Cibernética



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